Seguidores

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Cultura Corporal e Educação Física


Escreva uma resenha(resumo crítico) sobre o texto abaixo, mande para o email com nome e turma.
Postado por Digumes às 07:08 0 comentários

Cultura corporal e a Educação Física

Rildevania Alves Monteiroalves38@hotmail.comAdalberto dos Santos Souzaneysouza11@hotmail.com(Brasil)

O significado atribuído à cultura por Geertz (1989) é o ponto de partida para as discussões que circulam nesse texto, é ele que dá subsídios para as discussões sobre as formas de manifestações culturais que estão relacionadas ao “corpo”. Formas que são absorvidas ativamente, recebendo um sentido, um significado no próprio processo de recepção e, portanto, vão adotando significados diferentes em sociedades distintas.Obviamente que a priori, estas formas e significados não se tornam inteligíveis a todos os atores que fazem parte desse contexto. Decifrá-las, portanto, é uma das tarefas a ser cumprida pelos professores, uma vez que o comportamento das pessoas também é “condicionado”, em grande parte, pelas regras sociais estabelecidas culturalmente. Regras estas construídas com base num significado simbólico que toma forma aos poucos.De acordo com essa idéia, pode-se afirmar que o processo cultural delimita, em grande parte, como as pessoas escolherão suas formas de manifestarem-se nas mais diversas situações, inclusive, em relação às questões ligadas ao seu corpo.Rodrigues (1986) afirma ser inegável a existência de conjuntos de motivações orgânicas, que conduzem os seres humanos a determinados tipos de comportamento. Mas o autor alerta que, a cada uma dessas motivações biológicas, a cultura atribui uma significação especial, em função da qual assumirá determinadas atitudes e desprezarão outras.Percebe-se, como conseqüência disso, que não há comportamento que não passe pela influência cultural e é sobre a égide dessa influência que os corpos também são formados. O ser humano modifica constantemente seu corpo, sem se dar conta da importância e da ligação entre essa necessidade e o resto de suas relações sociais.Na obra de Daolio (1995, p.39) percebe-se um entendimento parecido a esse quando o autor afirma que o homem, por meio do seu corpo, pode assimilar e se apropriar “[...] dos valores, normas e costumes sociais, num processo de inCORPOração [...]”. Essa incorporação nada mais é do que o processo pelo qual os seres humanos passam a internalizar em seus corpos os valores sociais que estão contidos na sociedade.Obviamente que se o corpo passa a ser compreendido no que diz respeito ao seu “desenvolvimento”, numa perspectiva cultural, poderemos inferir como Daolio (1998), que a cultura deve ser entendida como um dos principais conceitos para a Educação Física. Entretanto, o autor acrescenta que quando se assume essa postura, ou seja, de que a Educação Física deve ter uma atuação eminentemente cultural, “[...] há que se considerar, primeiro, a história, a origem e o local daquele grupo específico e, depois, suas representações sociais, emolduradas pelas suas necessidades, seus valores e seus interesses” (DAOLIO, 2001, p.35).Nota-se pelas discussões realizadas até o momento, que o corpo não foge as influências culturais, que ele é o meio de expressão fundamental do ser humano, sendo assim, não há possibilidade de existência de uma dimensão física isolada da sua totalidade.Outro autor importante para essa discussão sobre a influência da cultura no modo como agimos, e, principalmente, como agimos em relação ao nosso corpo, é o antropólogo Frances Marcel Mauss. No texto escrito no início do século XX, no qual o autor aborda o que chama de técnicas corporais, ele acaba por considerar a ação humana como sendo também um ato social, que ocorre dentro de uma configuração dada pelo meio em que o homem vive. Sendo assim, a técnica que utilizamos para determinadas ações não é influenciada exclusivamente pelo desenvolvimento biológico, como se pensou durante muito tempo, existe nela toda uma gama de determinantes culturais, o que nos leva a afirmar que ela é eminentemente simbólica. Ao falar de cada uma das técnicas o autor procura indicar as influências culturais que elas sofrem, e como elas podem ser transformadas.Com essa afirmação inferimos que, se por um lado o desenvolvimento humano pode ser semelhante em alguns aspectos, por outro, a maneira com que ele se desenvolve provavelmente será diferente em virtude de vários fatores determinantes, entre eles, os condicionantes socioculturais.Outros autores ao se debruçarem sobre essa questão propõem uma mudança na forma de olhar dos que atuam com a Educação Física. Temos como exemplo o Coletivo de Autores (1992, p.39). Segundo eles o professor precisa fazer com que aluno entenda queo homem não nasceu pulando, saltando, arremessando, balançando, jogando etc. Todas essas atividades corporais foram construídas em determinadas épocas históricas, como respostas a determinados estímulos, ou desafios, ou necessidades humanas.Essa percepção dos autores reforça a necessidade de se compreender que o ser humano é mais do que um ser determinado biologicamente, uma vez que, ele é fruto da cultura em que vive.A contribuição das discussões sobre as questões culturais são fundamentais para a Educação Física, e isso está justamente na possibilidade de propiciar uma mudança no seu olhar sobre o corpo para, conseqüentemente, não observá-lo mais como um amontoado de ossos, músculos, articulações, nervos e células.A visão de um corpo essencialmente biológico afasta a área de uma compreensão ampla do ser humano, da compreensão de que são os significados atribuídos pela sociedade que definem o que é corpo e como ele age nas mais diferentes situações. Tal visão é explicitada por Mauss (1974) quando o autor afirma que cada pessoa irá servir-se de seus corpos por intermédio de técnicas adquiridas ao longo de sua existência e transmitidas pela sociedade em que estão inseridas.Observar o trabalho realizado pela área com essa lente nos permite afirmar que é necessário garantir aos alunos o ensino dos jogos, das lutas, da dança, da ginástica e outras manifestações culturais do movimento humano de uma forma contextualizada, possibilitando a eles, a aquisição de um olhar crítico sobre as informações que lhes são transmitidas. Sendo assim, a compreensão do que fazemos com o nosso corpo poderá ser re-significada e, percebida dentro de um contexto que pode ser lido como a cultura o pode.Ao longo do texto afirmamos que a Educação Física deve ter uma atuação eminentemente cultural e que para isso ocorrer ela necessita penetrar no universo das representações sociais. Com isso, estamos reconhecendo que a Educação Física é uma representação do social, “porque é o produto de uma prática simbólica que se transforma em outras representações” (SOUZA, 2008, p.100).Nessa linha de raciocínio podemos vislumbrar as aulas de Educação Física dentro de um contexto, que carrega consigo as questões de uma data época e de uma determinada sociedade, fazendo com que a atuação dos professores esteja umedecida dessas questões. Portanto, falar das aulas é falar das pessoas que estão envolvidas nesse cotidiano, professores, alunos etc. Além disso, a forma como os alunos vêem o seu corpo e a relação deste com as práticas corporais, passa por questões que transcendem a quadra, questões, sobretudo, de ordem cultural.

Nenhum comentário: