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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cultura corporal

A Educação Física é um componente importante na construção da cidadania, na medida em que seu objeto de estudo é a produção cultural da sociedade, que introduz e integra o aluno nesta área da cultura, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para usufruir dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida.

A Educação Física escolar deve considerar a diversidade como um princípio que se aplica à construção dos processos de ensino e aprendizagem e orienta a escolha de objetivos e conteúdos que se estabelecem com a consideração das dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos. Essas alternativas de ensino da Educação Física que efetivamente promovem a inclusão do aluno na construção de um conhecimento que o permite compreender e transformar

O significado atribuído à cultura por Geertz (1989) dá subsídios para as discussões sobre as formas de manifestações culturais que estão relacionadas ao “corpo”. Formas que são absorvidas ativamente, recebendo um sentido, um significado no próprio processo de recepção e, portanto, vão adotando significados diferentes em sociedades distintas. O comportamento das pessoas também é “condicionado”, em grande parte, pelas regras sociais estabelecidas culturalmente. Regras estas construídas com base num significado simbólico que toma forma aos poucos.

Rodrigues (1986) afirma ser inegável a existência de conjuntos de motivações orgânicas, que conduzem os seres humanos a determinados tipos de comportamento. Mas o autor alerta que, a cada uma dessas motivações biológicas, a cultura atribui uma significação especial, em função da qual assumirá determinadas atitudes. Percebe-se, como conseqüência disso, que não há comportamento que não passe pela influência cultural e é sobre a égide dessa influência que os corpos também são formados.

Na obra de Daolio (1995, p.39) percebe-se um entendimento parecido a esse quando o autor afirma que o homem, por meio do seu corpo, pode assimilar e se apropriar dos valores, normas e costumes sociais, num processo de incorporação”. Essa incorporação nada mais é do que o processo pelo qual os seres humanos passam a internalizar em seus corpos os valores sociais que estão contidos na sociedade. Por isso que a cultura deve ser entendida como um dos principais conceitos para a Educação Física.

O corpo não foge as influências culturais, que ele é o meio de expressão fundamental do ser humano, sendo assim, não há possibilidade de existência de uma dimensão física isolada da sua totalidade.

Com essa afirmação inferimos que, se por um lado o desenvolvimento humano pode ser semelhante em alguns aspectos, por outro, a maneira com que ele se desenvolve provavelmente será diferente em virtude de vários fatores determinantes, entre eles, os condicionantes socioculturais.

O Coletivo de Autores (1992, p.39). Segundo eles o professor precisa fazer com que aluno entenda que

“o homem não nasceu pulando, saltando, arremessando, balançando, jogando etc. Todas essas atividades corporais foram construídas em determinadas épocas históricas, como respostas a determinados estímulos, ou desafios, ou necessidades humanas”.

Essa percepção dos autores reforça a necessidade de se compreender que o ser humano é mais do que um ser determinado biologicamente, uma vez que, ele é fruto da cultura em que vive.

A contribuição das discussões sobre as questões culturais são fundamentais para a Educação Física, e isso está justamente na possibilidade de propiciar uma mudança no seu olhar sobre o corpo para, conseqüentemente, não observá-lo mais como um amontoado de ossos, músculos, articulações, nervos e células.

A visão de um corpo essencialmente biológico afasta a área de uma compreensão ampla do ser humano, da compreensão de que são os significados atribuídos pela sociedade que definem o que é corpo e como ele age nas mais diferentes situações. Tal visão é explicitada por Mauss (1974) quando o autor afirma que cada pessoa irá servir-se de seus corpos por intermédio de técnicas adquiridas ao longo de sua existência e transmitidas pela sociedade em que estão inseridas.

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