Leiam com atenção, durante as aulas comentaremos, ok?
MAURICIO MURAD, sociólogo, professor da Uerj e do mestrado da Universo, seu
último livro é SOCIOLOGIA E EDUCAÇÃO FÍSICA: DIÁLOGOS, LINGUAGENS DO CORPO,
ESPORTES, 2009, RJ, FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS.
A sociologia é uma das ciências sociais e teve seu estatuto científico firmado a
partir da segunda metade do século XIX, na Europa, mais especificamente na França,
por intermédio do pensamento positivista de Augusto Comte (1798/1857) e Émile
Durkheim (1858/1917). Isto, na conjuntura de consolidação da sociedade capitalista na
história, no período após as grandes revoluções burguesas, especialmente a francesa e
a industrial.
De um modo bem formal, podemos dividir a sociologia em duas grandes áreas:
a sociologia geral e as sociologias particulares. A sociologia do esporte é uma dessas
sociologias particulares, específicas ou especiais e trata de como pesquisar e analisar o
fenômeno esportivo, enquanto fenômeno social, ou seja, a partir da articulação
dinâmica e interativa entre as diferentes estruturas componentes da sociedade: a
econômica, a política e a cultural.
O lúdico, o jogo, é uma das dimensões estruturais e estruturantes da vida
humana em sociedade. O esporte é o lúdico socialmente organizado,
institucionalizado, com regras aceitas internacionalmente, apresentando hierarquias,
papéis e funções, como, de uma maneira geral, podemos ver em todas as instituições.
Inúmeros são os tipos e as modalidades esportivas. A vida em sociedade quase
sempre e em todas as épocas tem um jogo, um esporte ou algum dos fundamentos
destes marcando o seu dia‐a‐dia e podendo ser um dos elementos de sua
representação cultural e social. O esporte pode ser uma metáfora da vida social, uma
representação resumida de seus fundamentos, de suas raízes, de suas contradições. O
esporte é um “fato social total”. Portanto, pode e deve ser estudado pela sociologia,
como uma contribuição expressiva a uma sociologia geral da sociedade.
Marcel Mauss (1872/1950) trouxe, à luz da Antropologia, o conceito de “fato
social total” (talvez, sua contribuição mais importante) no Ensaio Sobre a Dádiva,
publicado em 1925, em uma coletânea intitulada Sociologia e Antropologia, embora “a noção esteja presente em toda a sua obra”, como escreveu Lévi‐Strauss. E foi neste
mesmo livro, Sociologia e Antropologia, que o autor formulou algumas idéias e
reflexões sobre o corpo, a gestualidade e a natação, o que soma numa Sociologia do
Esporte.
Mauss constrói a categoria de “fato social total”, fundamentalmente, a partir
dos trabalhos de Franz Boas, sobre o Potlatch, de Malinowski, sobre o Kula, dos
sistemas de festas do mundo indo‐europeu e conceitua “fato social total como aqueles
fenômenos complexos, pelos quais o conjunto das instituições se exprime e o todo
social pode ser observado”.
O esporte tem sido isso, especialmente a partir da segunda metade do século
XIX, quando foram organizados os chamados “esportes modernos”, na Europa
capitalista, industrial e imperialista e daí exportados para o mundo. Em escala
crescente, os esportes, para além de jogos, de entretenimentos, de lazer viraram
comércio, indústria, ideologia. O século XXI comprova isso cotidianamente. O esporte é
uma das representações sociais mais relevantes e por ele podemos “ler” as
identidades de uma determinada cultura, as raízes de uma determinada sociedade, os
sentidos de uma determinada história.
REFERÊNCIAS
Mauss, Marcel. Ensaio sobre a dádiva. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Edusp,
1974.
Murad, Mauricio. Sociologia e Educação Física: diálogos, linguagens do corpo,
esportes. Rio de Janeiro: FGV, 2009.
Tubino, Manoel José e outros. Dicionário enciclopédico Tubino do esporte. São Paulo:
Editora Senac, 2007.
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